quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Missão Holandesa


 
Com a Missão Holandesa que veio em 1630 temos uma outra relação com o mundo natural brasileiro por parte dos seus participantes, impondo-se uma forma descritiva da realidade, dando fundamentos a uma abordagem visual de caráter científico, destacando-se aí os trabalhos do alemão George Markgraff (astrônomo, cientista e autor de ilustrações cartográficas), Frans Post (paisagista), Albert Eckhout, e alguns outros pintores que não tiveram tanto destaque, como Zacharias Waneger, Caspar Schmalkalden e Johan Nieuhof .
Com a pintura holandesa no Brasil, os artistas que acompanharam o Conde de Nassau introduzem uma “nova concepção de imagem (BELLUZZO, 1994). A autora (1994, p. 19) nos diz que “a nova noção de imagem diz respeito aos simulacros visíveis dos corpos, às emanações das coisas no espaço, ao vazio que torna possível a visão dos corpos”. Portanto, o artista Albert Eckhout, principalmente, com sua pintura, “realiza à luz do dia a descoberta do fenômeno da vista. Pode-se dizer que assinala outro renascimento: o renascimento dos sentidos”. (BELLUZZO, 1994, p. 19).
Ao vermos as composições de Eckhout, sentimo-nos induzidos não somente à visão, mas a outros sentidos como o tato, o paladar e o olfato. Essas naturezas-mortas são
feitas pelo prazer dos sentidos e exibem a habilidade artística e o virtuosismo, herdados pelo Renascimento da experiência da Antiguidade clássica. Filiam-se às pinturas que desenvolvem artifícios para enganar os sentidos, como os artistas italianos do século XV verificam nos modelos antigos. As coisas da natureza estimulam assim prazeres ilusórios, não verdadeiros, dando lugar a um jogo entre a aparência e a verdade (BELLUZZO, 1994, p. 24).
Para Belluzzo, estes vegetais nos convidam ao prazer de degustá-los. Algumas frutas aparecem cortadas ao meio, enfatizando este prazer ao espectador; mostram estas testemunhas da fecundidade das terras do Novo Mundo. “A contemplação da natureza brasileira promove a visão e o tato, provoca a sensação do gosto e do cheiro”, afirma a autora (1994, p. 114-118).
Galard (2000) ressalta ainda que essa aproximação dos objetos, aparentando estar quase vivos sobre a tela, sobre fundo de céu, transmite a impressão de que Eckhout quis nos convidar a uma exaltação dos sentidos, ou talvez mesmo a celebrar uma espécie de abolição da distância, reafirmando tal pensamento.
A permanência dos artistas de Nassau no Nordeste representa um episódio isolado e dos mais interessantes da história da pintura brasileira, pois não deixaram discípulos ou pintores que continuassem os trabalhos. O fato se reveste de importância também para a história da arte ocidental, pois corresponde cronologicamente à primeira investida da arte holandesa fora do continente europeu. Além disso, pelo fato de não serem católicos, esses pintores puderam entregar-se livremente a gêneros pictóricos até então jamais praticados no Brasil, sendo os primeiros a fixarem profissionalmente a paisagem, os habitantes, a fauna e a flora brasileiras. As pinturas e desenhos de Post, Eckhout e provavelmente outros artistas de Nassau, foram aproveitadas como cartões de tapeçarias pela Manufatura dos Gobelins e divulgadas em sucessivas tiragens até vésperas da  II Guerra Mundial.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Colagem e papier-collé


 
 
 
 
 
                                                           

COLAGEM:É uma técnica radical, conflitante  e subversiva. É a inserção em determinado contexto de um elemento estranho a ele. E se distingue do papier –collé que usa essencialmente papel e cartões colados sobre tela ou outros suportes. A exegese do cubismo reconhece em Braque o criador do papier-collé, enquanto é atribuída  a paternidade  da colagem a Picasso .

A obra Natureza- Morta com Cadeira Empalhada ,um dos quadros mais notáveis do séc. XX, não é mais do que o assento de uma cadeira de palha recostada em uma mesinha em que estão dispostas várias coisas do dia a dia. Abaixo destaca-se a cadeira, ou melhor, a sua trama decorativa abstrata repetida novamente .Picasso se concentra sobre o conceito de representação .A realidade pode ser imitada, reproduzida segundo uma visão comandada pela retina (como faziam os impressionistas).A cadeira enfim pode ser movida  dentro da obra. O objeto real, um fragmento qualquer da vida cotidiana -no caso, um pedaço de tela encerada que imita o assento da cadeira  - torna-se parte do quadro. Nasce assim a primeira colagem. A presença de  algo externo dentro da pintura traz consigo muitos significados. Antes de  tudo, demonstra plena liberdade expressiva, que se torna um precedente  fundamental para muitos outros artistas.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

BASQUIAT


Jean-Michel Basquiat (22 de dezembro de 1960 - 12 agosto de 1988) era um artista haitiano-americano Basquiat primeiro alcançou notoriedade como parte de SAMO, um grupo informal de graffiti que escreveu epigramas enigmáticos no viveiro cultural do Lower East Side  de Manhattan  , Nova York  , durante a década de 1970, onde o hip hop  , pós-punk  e street art  movimentos haviam transformado. Na década de 1980 ele estava exibindo seus neo-expressionistas  e Primitivistas pinturas em galerias e museus a nível internacional, mas ele morreu de overdose de heroína com a idade de apenas 27 em 1988. O Museu Whitney de Arte Americana  realizou uma retrospectiva de sua arte em 1992.

A arte de Basquiat focada em "sugestivos dicotomias ", como a riqueza contra a pobreza, a integração contra a segregação e interior contra experiência externa. Ele se apropriou de poesia, desenho e pintura, e casado texto e imagem, abstração e figuração, e informação histórica misturada com a crítica contemporânea.Amigo do famoso artista Andy Warhol que ajudou a impulsionar sua carreira.O ajudou como uma espécie de padrinho,para entrar no cruel e acirrado mercado de arte.Seus amigos ficavam preocupados com seu uso excessivo de drogas,e seu comportamento paranóico.
Em fevereiro de 1985 ele foi capa da revista The New York Times,o sucesso favoreceu suas exposições pela Europa.Com a morte de Warhol nos anos 80,Basquiat se sentiu meio desprezado neste universo das artes tão competitivo e acabou por ter um fim trágico,morrendo de overdose.Um filme com seu nome foi lançado
contando sua biografia,dirigido por Julian Schnabel, e com o ator Jeffrey Wright interpretando Basquiat.O universo da arte é cheio de desilusões,onde o artista pode estar no topo em um momento e em outro estar arruinado.

 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Transvanguarda


Em 1980, a Quadragésima Bienal de Veneza foi marcada pelo aparição da “transvanguarda” ( o “além-vanguarda). O movimento foi idealizado por Achille Bonito Oliva, o qual afirmava que a pintura já não tinha história e tornara-se livre, podendo assim usar toda e qualquer influência. Oliva também achava que as características nacionais estavam fora de moda. Para ele, existia apenas a arte mundial, que se inspirava em todas as tradições, imitando, subvertendo e pastichando à vontade. Embora supostamente internacional, o núcleo da trasvanguarda era italiano; havia, porém, destacados membros estrangeiros, entre eles os alemães Kiefer e Baselitz. Nasceu nos primeiros anos da década de 1980, em contraste com a  arte povera movimento anterior de moda até então na Itália. A trans-vanguarda teorizava o regresso à alegria e às cores da pintura após alguns anos de dominação da  arte conceitual

O movimento teve como protagonistas um quinteto de artistas:  Sandro Chia,Enzo Cucchi, Francesco  Clemente, Nicola De Maria  e Mimmo Paladino . À parte pode ser mencionado o artista grego Jannis Kounellis .

Os transvanguardistas caracterizam-se por um ecleticismo  subjetivo, no qual os artistas voltam para uma linguagem pictórica clássica. Recorrem a temas mitológicos  clássicos como o minotauro ou o ciclope  e a temas heróicos com grande expressividade cromática. Outra das suas características é o "nomadismo", o artista é livre para transitar em qualquer época ou estilo do passado, tomando livremente qualquer referência de outros autores. Realizam obras geralmente figurativas, com referências iconográficas  com gosto pelo fragmentar (fragmentos de obras do passado).

 No Brasil, parece difícil apontar influências diretas da transvanguarda embora seja possível notar um número significativo de obras tributárias do neo-expressionismo, por exemplo, os trabalhos dos artistas da  Casa 7 –Nuno Ramos, Paulo Monteiro, Fábio Miguez, Rodrigo de Andrade e Carlito Carvalhosa-, as pinturas de Daniel Senise, Jorge Guinle e Cristina Canale , assim como parte das obras de Leda Catunda e Omar Pinheiro.