quinta-feira, 21 de novembro de 2013

PABLO PICASSO

 
     
Pablo Picasso ,1881 a 1973,um dos grandes pintores do séc. XX.
Nasceu em Málaga na Espanha. 
 
                                                                                                                                                                                          
 
 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

GUERNICA


Guernica:a trágica e clássica obra do pintor Pablo Picasso, nasceu das impressões causadas no artista pela visão de fotos retratando as consequências do intenso bombardeio sofrido pela cidade de Guernica, anteriormente capital basca, durante a Guerra Civil espanhola em 26 de abril de 1937.

Este painel, produzido em 1937, é então exposto em um pavilhão da Exposição Internacional de Paris, no espaço reservado à República Espanhola. Este trabalho é grandioso, em todos os sentidos, tanto na catástrofe bélica que reproduz, quanto no seu tamanho, pois ele mede 350 por 782 cm. Elaborado em tela pintada à óleo, é um símbolo doloroso do terror que pode ser produzido pelas guerras.

Esta obra universal traz em si o impacto provocado por todo e qualquer confronto bélico, não só o vivenciado pelos habitantes de Guernica, destruída pela mortífera aviação alemã comandada pelo nazista Adolf Hitler, aliado do ditador espanhol Francisco Franco. Diretamente atingido pela visão desta violência sem igual, Picasso leva um mês e alguns poucos dias a mais para produzir sua obra-prima, que é concebida depois de não menos que 45 estudos anteriores.

Imediatamente este trabalho assume o caráter de representante artístico universal na condenação deste ato selvagem. As imagens que emanam desta tela transcendem os próprios fatos, alcançando, quase profeticamente, futuros embates que, hoje, se traduzem em conflitos em áreas diversas,que chegam a atuar como cobaias para que novos armamentos sejam testados, principalmente os eficazes bombardeios de saturação.

Picasso concebeu sua obra em preto e branco, com alguns traços amarelados, traduzindo assim os intensos sentimentos que o abalaram na destruição de Guernica, sua rejeição a tamanha violência. Sem dúvida nenhuma constituída em estilo cubista, o pintor nela reproduz o povo, os animais e as construções atingidas pelo bombardeio.

A própria recorrência ao recurso conhecido como ‘collage’ evidencia as intenções emocionais do artista. Ele não cola simplesmente as imagens na tela, mas as pinta, simulando o ato da colagem. Assim ele tece um espaço renovado e original, não obtido por meio de técnicas ilusórias, mas sim pela justaposição de imagens cortadas na perspectiva plana, em tonalidades pretas e cinzas, perpassadas por luzes brancas e amarelas, atingindo a impressão de uma falta completa de cores, que aqui lembram sem dúvida a morte. O pintor representa em Guernica, com certeza, a dissolução da existência, que se resume a fragmentos, a transformações na anatomia dos seres retratados, de certa forma irreais, mas que ao mesmo tempo transmitem o absurdo significado ou a absoluta falta de sentido da realidade gerada pela guerra.

A obra Guernica se encontra no Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia,em Madri.

Fontes
http://www.isa.utl.pt/campus/6_pablo.htm


 

 

 

domingo, 17 de novembro de 2013

O CUBISMO


Em 1907,Picasso começa os primeiros estudos das senhoritas de Avignon (Les Demoiselles D’Avignon).A  ideia é aludir a um tema clássico cuja cena tenha um impacto antidecorativo ao combinar ecos do arcadismo europeu com menções às esculturas tribais.A incompreensão do crítico Louis Vauxcelles diante do Nu azul  se concentrava sobre a “ feiúra” da figura feminina.As senhoritas de Picasso não eram menos “feias”.E no caso delas a “feiura” parece ainda mais agressiva,uma vez que é acentuada pelas poses sensuais inverossímeis.Mas o que havia de tão dissonante,o que havia de aberração no quadro,que incomodava tanto os que o viam?Picasso faz uma verdadeira destruição da construção pictórica ocidental.O pintor despedaça a unidade do quadro ,construindo uma superfície que é vista como sólida e facetada.Picasso anula a ordem dos planos prospectivos.Subverte as diferenças entre perto e longe,dentro e fora,renovando radicalmente a concepção do espaço. “Picasso disse uma vez que quem cria algo é obrigado a fazê-lo feio” escreveu Gertrude Stein.E descreve o raciocínio do pintor. “Do esforço e da luta para gerar intensidade deriva sempre certa feiura :quem vem depois pode fazer desse algo uma coisa belíssima ,pois, visto que já foi inventada,sabe aquilo que está fazendo”.Gertrude Stein enfatiza a fadiga do artista à procura de uma forma que negue e vá além dos valores constituídos.Tal comportamento motivou os críticos a falar de uma ruptura definitiva com as tradições do Renascimento.A cena que Picasso pinta parece submetida a um choque que faz erguer o fundo em fraturas que se encaixam umas nas outras.A matéria pictórica se enche de cristais e depressões em um espaço comprimido e claustrofóbico.A obra “As senhoritas de Avignon” marca  o início do movimento cubista.Ao lado do amigo Georges Braque desenvolve o cubismo analítico.Em 1912 nascem as primeiras experiências com colagem e papier-collé.Com Braque ,desenvolve o chamado cubismo sintético.Fernand Léger,André de Lothe,e Juan Gris também foram representantes do movimento cubista.

as senhoritas de Avignon

senhoritas de Avignon (Les Demoiselles D’Avignon) Pablo Picasso, 1907.

Curiosidades

 

Ao se depararem com a obra de Pablo Picasso,”Les Demoiselles d’Avignon” os amigos e admiradores ficaram espantados e fizeram comentários não muito agradáveis.Consternado com tanta agressividade das formas da composição, o colecionador russo Sergeij Schukin,lamentou dizendo:”Que perda para a arte  francesa!”
Derain comentou:”Uma manhã ainda encontraremos Picasso enforcado atrás de seu quadro”.Salmon,amigo de Picasso se sentiu embaraçado diante da cruel “desumanidade” dos nus e com “ o horror das faces pintadas ,que me gelaram de susto” .Braque ,o amigo que o poeta Apollinaire havia apresentado a Picasso a pouco tempo,descreve desorientado,o efeito que a obra lhe causara:”É como beber petróleo comendo uma estopa em chamas.”Além das manifestações de escândalo,a obra também despertou entusiasmo.”Essa é uma pintura que alguém deveria mostrar em procissão pelas ruas da cidade,exclamou o grande alfaiate Jacques Doucet,que adquiriria o quadro com a promessa de doá-lo em testamento para o Museu do Louvre.O galerista Kahnweiler apreciou a obra,principalmente por ser  uma espécie de predecessora do movimento cubista

sábado, 16 de novembro de 2013

Análise de Obras


                                                                                            

Um sistema eficaz para a compreensão de obras de arte foi desenvolvido por Heinrich Wolfflin no princípio do séc. XX. Principalmente para modelos artísticos do Barroco e do Renascimento ,que foram tratados comparativamente pelo autor ,tomando-se por base a pintura e a arquitetura.

Wolfflin estabelece uma tipologia de pares opostos ,que são os seguintes:

Linear-pinturesco ;planar-recessional ;forma fechada/aberta ;multiplicidade de unidades .Esses conceitos também podem ser expressos em pares,como “estático-dinâmico”, ”simétrico-assimétrico” ,e assim por diante .É assim,que nessa perspectiva,o Renascimento aparece associado aos conceitos de linear,planar,forma fechada,multiplicidade,e também ao simétrico e ao equilíbrio.

O modelo Barroco circula pelas idéias opostas:pinturesco,recessional,forma aberta,unidade, assimetria,movimento.

Um dos pares de conceitos propostos por Wolfflin refere-se ao atributo linear,típico da pintura renascentista,em oposição ao pinturesco barroco.

Por linear, entende-se que todas as figuras e formas significativas no interior de uma determinada construção artística são claramente delineadas.Cada elemento sólido apresenta limites bem definidos e claros.

A linearidade pode ser comprovada em grande número de quadros renascentistas,como por exemplo,a obra “A Escola de Atenas”de Rafael.Neste quadro,cada figura ou elemento de arquitetura é bastante claro e passível de ser isolado dos demais.Embora integrados a um conjunto mais amplo que lhes dá sentido,cada figura ou grupo de figuras conserva uma espécie de autonomia.A idéia de Rafael neste mural foi a de homenagear os grandes pensadores da Antiguidade Clássica,e nele aparecem filósofos antigos de tempos diversos.Platão e Aristóteles aparecem destacadamente no centro do quadro,e também estão presentes diversos outros pensadores clássicos como Sócrates,Diógenes,Pitágoras,Epicuro,Ptolomeu e Euclides.

Nas pinturas barrocas,ao contrário podemos aplicar o conceito oposto ao “linear”o “pinturesco”.Tomando de exemplo a obra “Ronda Noturna” de Rembrandt.As figuras não são uniformemente iluminadas e muito menos isoláveis umas das outras.Antes,fundem-se umas às outras.As figuras principais parecem se movimentar diagonalmente,agora para a frente e para a esquerda.

Outro par dicotônico importante na abordagem de Henrich Wolfflin é o planar-recessional.Nas obras renascentistas,tipicamente planares,identifica-se facilmente uma série de planos paralelos que organizam regularmente a profundidade do conjunto de imagens,e nestes planos de composição os vários elementos isolados são distribuídos.Por exemplo,na “Escola de Atenas”um primeiro plano é dado pelos grupos e degraus mais próximos ao observador ;o segundo plano desenvolve-se em torno das figuras centrais de Platão e Aristóteles e estende-se simetricamente por outros grupos de pessoas e objetos,por fim ,o último plano corresponde a arquitetura de fundo que faz o olhar convergir para uma pequena porta aberta para o infinito,perfazendo-se com tudo isto uma organização em três planos paralelos.Estes três planos ,aliás,são bem assinalados pela sequência de arcos e outros elementos da arquitetura.

A forma fechada é típica do Renascimento:todas as figuras incluídas na “Escola de Atenas”estão equilibradas dentro da moldura do quadro,ao mesmo tempo em que a composição se baseia em verticais e horizontais que repetem a forma da moldura e sua função delimitadora.

"A Escola de Atenas" de Rafael


"Ronda Noturna" de Rembrandt


Forma Aberta


 

Na forma aberta típica do Barroco,a construção de linhas diagonais contrasta então com as horizontais e verticais da moldura e determina relações de distância,trazendo um dinamismo às figuras e a um conjunto que agora não parece mais estar contido simplesmente na estrutura de emolduramento.A moldura ,aliás,costuma nas obras barrocas cortar as figuras pelos lados deixando-as pela metade,e em alguns casos as cenas representadas parecem se estender para além dos limites espaciais impostos pela moldura,como se quisessem ganhar o infinito.

Por fim a análise relacionada a multiplicidade e unidade.De certa maneira,estes dois conceitos informam todos os anteriores.Entende-se por multiplicidade o fato já mencionado de que a pintura renascentista é composta de partes distintas e ambientes relativamente diferenciados.A obra apresenta-se internamente seccionada,sendo cada seção plena de sua cor própria,particular e local,e sendo por vezes possível examinar certos grupos e elementos como se fossem pequenos quadros dentro do quadro,separados uns dos outros ainda que mutuamente articulados em uma totalidade maior que unifica a variedade.

Por outro lado,a unidade é o ponto de partida da pintura barroca,muitas vezes obtida por meio da luz forte dirigida.Os elementos internos em uma composição barroca são fundamentalmente ligados,entrelaçam-se e invadem uns aos outros,estão como que profundamente mergulhados em uma unidade maior que pode ser obtida por recursos diversos,que vão desde a unificação pela luz ou pela sombra até a unidade estabelecida a partir do movimento,do entrelaçamento dos planos recessionais ou da difusão de contornos que se perdem em sombras,tornando pouco nítidas as fronteiras e delimitações de elementos que de outra forma poderiam ser isolados como nas pinturas renascentistas.